Viração

de “Viração” (1999), Letra e Música: Jonga Lima

Passarinho
Passa o tempo voando
Passatempo de vida
Passear pelos bosques
Paquerar toda flor

Passará
Passa o tempo cantando
Passo a passo da vida
Passear pelo mundo
Conquistar o amor

Passarão
E ao ouvir a canção
Ponto de Mutação

Vão criar novas atitudes
Vira, vira, viração
Procriar belas criaturas
Cria, cria, criação
Recriar tribos e culturas
Cor a cor a coração

Terra, terra, integração.

Cada um Na Sua

de “Amor de Vênus” (1993), Letra e Música: Jonga Lima

Não quero casar com você, amor
O dia-a-dia tedioso pode nos matar
Não quero morar com você, amor
É justo a fome e a saudade o que nos alimenta

Você mora aí, eu moro aqui

E quando a gente ficar junto vai ser demais
E quando não rolar encontro
Nada de confronto
Cada um na sua
E o amor continua

E eu te juro
Pelo cristal mais puro
Que tu és o fogo
Que incendeia o meu corpo de prazer

Te juro
Pelo cristal mais puro
Que vou ser sincero
Ao sentir que o nosso elo
Se transformou.

Farinha Pouca, Meu Pirão Primeiro

de “Batuquê du Zambô” (2011), Letra: Jonga Lima, Música: Sebastian Paz

A cada dia que passa
A cada trago de fumaça
O velho corpo se cansa de tanto lutar

Suado trabalho
Escravo dinheiro
De janeiro a janeiro só sei o que é ralar

Rala o coco, rala a bundinha
O nariz num prato de farinha
Farinha pouca, meu pirão primeiro
Onde vai dar esse desespero?

Numa atômica explosão?
Numa guerra sem perdão?
Num Caribe sem verão?
Num samba sem canção?
No amor sem tesão?
Numa espécie em extinção.

Lira Carinhosa

Canção que faz parte das trilhas musicais do Circo Picolino. Letra: Jonga Lima, Música: André Borges e Amadeu Alves

O nosso amor bem que podia virar trilha
De um filme colorido, exibido no país
Cenas de humor, romance explícito
Paixão, vexame e dor
Eu e você pela cidade
Brincando de fazer amor assim

Olho no olho, tudo em nome da verdade
Amor sincero e aventureiro
Muita história por aí
Te amo de amor gostoso e eterno
Paixão que não tem fim
Eu e você e a liberdade
Brincando de fazer amor assim

Ao te ver pela primeira vez
Meu coração pulou
Meu corpo por inteiro acelerou, gritou
Como pode existir uma mulher assim
Vi você querer me conhecer, se interessar por mim
E caminhamos juntos sempre ao som do sim
Teu corpo no meu corpo, uma canção sem fim.

Como nunca vi

de “Caminos, llaves y puertas” (2015), Letra: Jonga Lima, Música: Sebastian Paz

Naquele dia ela apareceu
E sem que eu pudesse imaginar
Puxou meus braços dentro do salão
Beijou minha boca e me pôs a dançar

Tinha um brilho nos olhos como eu nunca vi
E disse as coisas mais lindas que ouvi
Ao som dos beatles e dos rolling stones
Quebrou as portas do meu coração

E então saímos madrugada adentro
Pixando os muros da velha cidade
Trocando risos de cumplicidade
Trocando o tédio por felicidade

Éramos dois no mais completo ser
Bailando loucos, rara sincronia
Foi como um sonho, uma fantasia
Foi como um grito no amanhecer

E tudo aconteceu naturalmente
Surpreendentemente, desvairadamente
Naquele dia o amor apareceu
E sem piedade remexeu com a vida da gente.