Cada Um Na Sua

Letra de uma canção composta por Jonga Lima em seu primeiro disco solo, intitulado Amor de Vênus [1993].

Não quero casar com você, amor
O dia-a-dia tedioso pode nos matar
Não quero morar com você, amor
É justo a fome e a saudade que nos alimenta

Você mora aí
Eu moro aqui

E quando a gente ficar junto
Vai ser demais
E quando não rolar encontro
Nada de confronto
Cada um na sua
E o amor continua

E eu te juro pelo cristal mais puro
Que tu és o fogo
Que incendeia meu corpo de prazer
Te juro pelo cristal mais puro
Que vou ser sincero
Ao sentir que o nosso elo se transformou.

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Dinheiro Não é Tudo

Canção composta por Jonga Lima em parceria com Helson Hart.

Dinheiro não é tudo
É só 99%
O 1% restante
Ações, imóveis, ouro e diamante

Trocando em miúdos
Francos, escudos, pesos
Com dedos de veludo
Dinheiro vem no vento
Dinheiro vai no vento

Dinheiro não é tudo
Saúde não tem preço
De graça eu agradeço
Amor, valor absoluto.

O Tempo Pulsa

Canção que dá título ao novo show de Jonga Lima (2017).
Letra: Jonga Lima
Música: Tito Bahiense

Um homem cego canta e pede uma esmola
num domingo, num estádio de futebol
uma vaca louca é morta com uma pistola
e no açougue vira carne de sol

O menino encontra dentro do lixão
a boneca pro presente de sua menina
um jornalista africano compra no Japão
uma câmera rolleiflex genuína

O tempo pulsa
água mole em pedra dura
O tempo cura
tanto bate até que fura
tempos modernos
com lições antigas pra rever
amor eu quero tudo
perto de você

A professora dá o toque ao estudante
saúde e educação são direitos seus
no hospital a enfermeira cuida da gestante
que numa briga com o marido quase morreu

O deputado em sua mansão curte seu harém
desencanado da pobreza e coisa e tal
na TV bundas e sequestros com refém
são ícones de audiência internacional

O tempo pulsa
água mole em pedra dura
O tempo cura
tanto bate até que fura
tempos modernos
com lições antigas pra rever
amor eu quero tudo

Descola

Escola
será que ainda rola de aprender a sonhar?
depósito acéptico de crianças
corre-corre pro vestibular

Descola
será que ainda rola de aprender a criticar?
Ritalinas silenciam as crianças
Disciplina e blá-blá-blá

Escola
sem partido
sem sonho
sem coração
Descola
todo o sentido
libera o grito
do fundo do coração

Quero o saber compartilhado na aventura
Quero aprender no desafio da procura
Faltam árvores no condomínio virtual
O essencial aos olhos é invisível
Quero ampliar o campo do possível

Eles temem o discernimento
Eles temem a autonomia
não há o que temer nunca mais

Diálogo
Dialogo no dia a dia
na crise e na oportunidade

Salve, salve os espaços públicos
Alô, alô nação tribal
ocupação permanentemente
educação multidimensional.

Samba do Improviso

Canção gravada por Jonga em seu quarto disco solo intitulado “Batuquê du Zambô” (2011). Letra e música: Jonga Lima, Luís Carlinhos e André Sah.

 

Na hora de cantar

Esqueci a letra

Vamo improvisar

Vai dar tudo certo

 

É só soltar a voz

Segue o andamento

Atitude jazz

Ri desse momento

 

É só não dá bandeira que esqueceu

Que o errado às vezes vira arranjo

Faz do defeito um efeito e ninguém viu

 

Tropeçou, balançou, mas não caiu

Tropeçou, balançou…

 

 

 

 

 

Flor do Vale (Muda de Bananeira)

Letra de uma canção que faz parte do terceiro disco de Jonga Lima intitulado “Terra Que Berra”, gravada e dedicada ao Vale do Capão, na Chapada Diamantina, em 2000. Letra e Música: Jonga Lima.

 

Fui pegar muda de bananeira

nos Gatos, na roça do meu amigo Ném

Mas que boa vontade esse indivíduo tem

Experimente uma amizade bonita

Com essa gente querida, Caeté-açú, meu amor

 

Um povo forte e sempre disponível a uma ajuda amiga

A uma mão que acolhe, a uma voz que encanta

A um gesto simples de amor

Experimente uma amizade bonita

Caeté-açú, meu amor

 

O que me intriga é perceber porque em toda parte

Há um montão de gente se achando importante

Mas que só pensa em si

No corre-corre do dia-a-dia

Não encontra tempo para estender uma mão amiga

 

E dizem por aí que tempo é dinheiro

E que dinheiro é poder de vencer na vida

De comprar alegria, conforto e prazer

Mas tudo isso para mim só tem o seu valor

Se você reparte o seu amor,   Caeté-açú

 

Mata-grande, Caeté-açú

Flor do vale do capão, Caeté-açú

Nas montanhas da Bahia vou viver com meu amor.

Um terceiro caminho

Diante dos últimos acontecimentos, a esquerda brasileira tem muito o que aprender com seus erros e a grave crise institucional que vivemos no Brasil. A direita não consegue nem mais disfarçar sua intolerância e ódio. Estamos perdendo uma enorme oportunidade de construir um país mais efetivamente autônomo, igualitário e justo. Chega de tantos conchavos inadmissíveis com figuras maquiavélicas como Renan, Cunha, Temer, Katia Abreu, Collor e muitos outros! Já diz o ditado popular “quem anda com porco, farelos come”. Ainda há tempo para reconstrução? Eu acredito que sim, mas tem que haver uma ruptura com esse modelo sujo. Na eminência de um golpe político-jurídico-midiático, nossa força e manifestação nas ruas e nas redes sociais é de vital importância na luta pelos direitos democráticos conquistados. Ditadura nunca mais!
Mas, o resultado dessa triste polarização, muitas vezes rasa, tem sido um país violentamente dividido e corrupto, longe dos ideais de uma sociedade mais igualitária, mais solidária, mais humana, mais tolerante, mais pacífica, mais justa, mais democrática. E isso pra mim não é obra de um só partido, mas de toda uma conjuntura social gananciosa. É obra da esquerda e da direita. Precisamos, sim, de uma reforma política imediata no Congresso Nacional, precisamos rever o papel da imprensa e televisão na utilização de sua concessão pública, precisamos rever o impacto do agronegócio em nossas vidas, em nossa saúde, precisamos rever o genocídio cotidiano de nossos índios, a destruição de nossas matas e florestas, precisamos melhorar nosso sistema educacional e, por consequência, a consciência de nosso povo, precisamos de uma justiça menos parcial, menos partidária, mais isenta, precisamos de mais cultura pra cuspir na estrutura.
Que surja um terceiro caminho, enquanto é tempo!
#naovaitergolpe
#todospelademocracia

Crimes do Amor

Gravada pela cantora Marcela Bellas em seu primeiro CD “Será Que Caetano Vai Gostar?” (2009). Letra:Jonga Lima, Música: Helson Hart

 

Um dia você está comigo no céu

Noutro você puxa o véu

Nos coloca na babel da escuridão

Bicho solto tem seu preço, sua prisão

 

Todo risco um endereço

Todo fim tem um começo

E assim não quero, não

Não quero, não!

 

Se pra você saiu tão caro

Tanta dor e sofrimento (é claro!)

Eu lamento e ao vento então declaro

Lembranças boas, momentos raros

Trem desgovernado

Acelerando o coração aos pedaços

 

Hoje você me pede paz

E não acredita mais

Injeções letais, câmara de gás

Sem certo nem errado

Inocente ou culpado, nunca mais

 

O amor comete crimes brutais

Dor e prazer em doses iguais

 

Crimes do amor

Junta Mole das Meninas

das trilhas musicais do Circo Picolino, Letra:Jonga Lima, Música: Amadeu Alves e André Borges

 

Veja o mundo em cores

De pura emoção

Vem pro circo da vida

Picolino de amor

 

É batom, purpurina

Junta mole das meninas

Palhaço, cantador

 

Quebra tudo

Improvisa na ginga

Moleque acrobata

trapezista da dor

Mexe o corpo

na manha da vida

Que pro artista

requer magia e suor

 

Passarinho em liberdade

Som da música atonal

Perna de pau

Somos raça, somos luta

No meio do vendaval

Circo imortal!

Menina Diamantina

de “Terra Que Berra” (2000), Letra:Jonga Lima, Música: Kal Venturi

Música do céu
Elevando os sentidos coloridos
Sons da natureza
Suavidade rara

Macaco beleza
Vermelho framboesa
Azul da cor do mar

Flor de maracujá
Menina diamantina
Eu quero a luz do teu sorriso
No mergulhar da cachoeira

Menina
Quero te namorar
Quero te contemplar
Quero te caminhar
Quero te trilhar….